A Assunção de Nossa Senhora
“Maria — Ressurreição — Esperança”A Assunção de Nossa Senhora é a solenidade em que a Igreja Católica celebra que Maria, terminada a sua vida terrena, foi elevada por Deus à glória do Céu em corpo e alma.
O que significa?
A Assunção não é apenas uma festa «sobre Maria». É sobretudo uma festa sobre aquilo que Deus realizou nela e sobre aquilo que promete realizar em nós.
Maria participa já plenamente da vitória de Cristo sobre a morte. Aquilo que esperamos no fim dos tempos — a ressurreição do corpo e a vida eterna — contempla-se já realizado nela. Por isso, a liturgia de 15 de agosto apresenta Maria como uma espécie de imagem antecipada da Igreja glorificada: onde ela está, esperamos também chegar.
Assunção não é o mesmo que Ascensão
Esta distinção é muito importante na nossa fé:
- Ascensão: Jesus ascende ao Céu pelo seu próprio poder: é a Ascensão do Senhor.
- Assunção: Maria é assumida, isto é, elevada ao Céu pela ação de Deus. Daí dizermos Assunção de Maria e não «Ascensão de Maria».
Maria morreu antes da Assunção?
Aqui existe uma curiosidade interessante. Em 1950, quando o Papa Pio XII definiu o dogma, a expressão escolhida — «terminado o curso da vida terrestre» — não define formalmente se Maria passou pela morte física ou não. A definição não resolveu expressamente essa questão.
Contudo, a tradição cristã mais antiga, sobretudo no Oriente, fala da Dormição de Maria (Koimesis): Maria teria realmente passado pela morte, sendo depois glorificada por Deus. Esta continua a ser uma tradição muito forte na Igreja.
A festa é muito mais antiga do que o dogma de 1950
Este é talvez um dos aspetos mais interessantes. Pio XII não inventou a Assunção em 1950. O que fez foi definir como dogma uma crença que já tinha muitos séculos de tradição litúrgica e espiritual.
Já nos séculos V–VI encontramos no Oriente celebrações relacionadas com o fim da vida terrena de Maria. O imperador bizantino Maurício é tradicionalmente associado à fixação da celebração da Dormição em 15 de agosto, no final do século VI. A festa chegou posteriormente a Roma e ao Ocidente, onde a designação Assunção se tornou predominante.
Porque é que o dogma só foi proclamado em 1950?
Pio XII proclamou-o após a Segunda Guerra Mundial, num tempo marcado pela morte e destruição. Nesse contexto de desvalorização humana, proclamar que uma criatura (Maria) está glorificada por Deus também no seu corpo tinha uma força particular: o corpo humano não é descartável; faz parte da pessoa chamada por Deus à ressurreição.
Curiosidades sobre o dia 15 de Agosto
- Não está na Bíblia: Não existe narrativa bíblica da Assunção. A fé da Igreja fundamenta-se na Tradição e na reflexão teológica sobre Maria à luz da Escritura.
- Ligação à Imaculada Conceição: Aquela que foi preservada do pecado original no início da sua vida, é contemplada no final plenamente associada à vitória do Filho (não confundir o 15 de Agosto com o 8 de Dezembro).
- Em Portugal: O dia 15 de agosto é feriado nacional. Agosto tornou-se tradicionalmente um período fortíssimo de festas e romarias marianas nas nossas terras.
- A Arte: Na arte ocidental, Maria é representada a ser elevada ao Céu rodeada de anjos. No Oriente, é comum a Dormição: Maria deitada e Cristo a receber a sua alma.
O significado mais profundo
O Concílio Vaticano II resume a solenidade: Maria, já glorificada no Céu, é «imagem e início da Igreja que há de ser consumada no século futuro». Não celebramos simplesmente que "ela foi para o Céu", mas que a vitória de Cristo já se manifesta numa criatura humana.
E é por isso que o Evangelho do dia não conta a Assunção, mas sim o Magnificat. A mulher que Deus eleva é precisamente aquela que durante a vida disse: «A minha alma glorifica o Senhor».
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