V Domingo da Quaresma – Ano A: A Ressurreição e a Vida
Caminho para a Páscoa

V Domingo da Quaresma

“A Ressurreição e a Vida”

«Eu sou a ressurreição e a vida.» O "tríptico quaresmal" encerra-se hoje de forma grandiosa. Depois da Água (Samaritana) e da Luz (Cego), Jesus enfrenta a própria Morte. A ressurreição de Lázaro antecipa a vitória da Páscoa e convida-nos a escutar a voz que nos chama a sair dos nossos túmulos.

O Paradoxo do Tempo de Deus

Jesus recebe a notícia da doença do Seu amigo Lázaro, mas decide, de forma paradoxal, ficar mais dois dias onde estava. Aos olhos humanos, Ele chega tarde demais à dor de Marta e Maria. Quando Jesus chega a Betânia, Lázaro já está no túmulo há quatro dias — o tempo que, na tradição judaica, marcava a decomposição do corpo e o fim de qualquer esperança de regresso à vida.

Sempre a Tempo: A aparente demora de Jesus ensina-nos que o tempo de Deus não é o nosso. Mesmo quando nos parece que Ele está "quatro dias atrasado" e que as nossas situações estão irremediavelmente perdidas ou "mortas", o Senhor chega sempre a tempo de nos amar, salvar e chamar de novo à vida.

A Fé de "Catecismo" de Marta

O diálogo com Marta revela um tipo de fé que muitos de nós partilhamos: uma fé teórica ou "de catecismo". Ela conhece a doutrina na perfeição e recita que o irmão «há de ressuscitar no último dia». Contudo, quando Jesus manda tirar a pedra do túmulo, a sua fé vacila perante a realidade crua e ela tenta impedi-l'O: «já cheira mal».

“Eu sou a ressurreição e a vida. Acreditas nisto?”

Jesus não Se contenta com uma profissão de fé abstrata ou adiada para o fim dos tempos. Ele pede a Marta (e a nós) confiança na Sua ação poderosa no aqui e agora. Acreditar n'Ele é ter a certeza de que Ele tem o poder de transformar e trazer luz às situações mais sombrias da nossa vida atual.

"Tirai a pedra" e "Vem para fora!"

O milagre exige a colaboração humana. Antes de intervir, Jesus manda: «Tirai a pedra». É preciso remover os obstáculos que bloqueiam a passagem da vida. Depois, com voz soberana, grita para a escuridão: «Lázaro, vem para fora!» e ordena que o desatem. O maior paradoxo do amor divino manifesta-se aqui: Jesus tira o Seu amigo do túmulo, sabendo plenamente que esse gesto fará com que as autoridades decidam condená-l'O, preparando o Seu próprio túmulo por amor a nós.

Viver a Ressurreição esta semana

  • Confiar no "Atraso" de Deus: Quando enfrentar dores, angústias ou crises e sentir que Deus está em silêncio ou demorou a responder, não perca a esperança. Confie que Ele tem um plano de salvação que supera a nossa pressa e a nossa compreensão.
  • Rolar a Pedra: Identifique as pedras pesadas (ressentimentos antigos, vícios, orgulho, mágoas ocultas) que estão a bloquear a sua vida espiritual e os seus relacionamentos. Faça o firme propósito de as remover, recorrendo ao Sacramento da Reconciliação.
  • Sair do Túmulo: Escute o grito de Cristo que o chama pelo nome. Deixe-se desatar das amarras da tristeza, do pecado e do comodismo. Aceite o convite para sair da escuridão e caminhar com liberdade para a alegria luminosa da Páscoa que se aproxima.

«Dito isto, bradou com voz forte: "Lázaro, vem para fora!". O morto saiu, com os pés e as mãos atados com ligaduras e o rosto envolvido num sudário.»

Uma Santa Quaresma!
Fontes: Comentários da UMP (União Missionária Pontifícia) e Papa Francisco.

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