IIIº Domingo do Tempo Comum – Ano A

Jesus chama à conversão e ao seguimento (Mt 4,12-23)

Resumo do Evangelho

No Evangelho deste domingo, Mateus apresenta o início da missão pública de Jesus logo depois do Batismo no Jordão e do tempo de tentação no deserto. Ao ouvir a notícia da prisão de João Baptista, Jesus retira-se para a região da Galileia, e ali inicia a sua pregação e o seu serviço ao povo.

Mateus vê neste movimento o cumprimento das palavras do profeta Isaías, que anunciara uma luz que brilhou na região escura da Galileia, iluminando vidas e destinos.

Jesus começa a proclamar uma mensagem simples e radical:

“Arrependei-vos, porque o Reino de Deus está próximo.”

Enquanto caminha junto ao mar da Galileia, Jesus chama os primeiros discípulos:

  • Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que deixam imediatamente as redes para o seguir;

  • Tiago e João, filhos de Zebedeu, que também deixam o barco e o pai para se tornarem seus discípulos.

Este gesto não é apenas simbólico: ele expressa uma mudança radical de vida, uma ruptura com o modo antigo de entender a existência para abraçar o projeto de Jesus de anunciar e realizar o Reino de Deus.

Depois, Jesus percorre toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do Reino e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo.


🌿 Reflexão para os dias de hoje

Este Evangelho convida-nos a entrar no coração do discípulo cristão: escutar o chamado de Jesus, responder sem reservas e seguir-O de forma concreta e transformadora.

1. A proximidade de Deus no quotidiano

Jesus inicia a sua missão não num templo majestoso, mas num contexto comum — junto ao mar, entre pescadores e simples trabalhadores. Isto lembra-nos que o Reino de Deus não está distante da vida real: ele nasce, cresce e dá frutos onde vivemos, trabalhamos e convivemos com os outros. A fé cristã não é uma abstração espiritual, mas um chamamento para transformar a vida em todas as suas dimensões.

2. O chamamento à conversão

O convite à conversão — “Arrependei-vos” — é a atitude fundamental do discípulo. Não se trata de um simples sentir-se arrependido, mas de mudar a direção da vida, descentrando-nos de nós mesmos e centrando-nos em Cristo e no serviço ao próximo. Esta mudança interior exige coragem e sinceridade: olhar para as nossas atitudes, renunciar ao egoísmo e acolher a Boa Nova com açăo e compromisso.

3. Responder ao chamamento com prontidão

Os primeiros discípulos deixam tudo — as redes, o barco, o trabalho e até a segurança do lar — para seguir Jesus imediatamente. Este gesto radical é um convite a reconhecer que seguir Cristo exige escolhas concretas: prioridades, tempo dedicado ao serviço, atenção aos pobres, compromisso com a justiça, reconciliação familiar e comunitária.

Hoje, como ontem, muitos cristãos vivem entre pressões e distrações que desviam do essencial. Este Evangelho recorda-nos que o discipulado não é passivo, nem confortável: é um caminho de compromisso, coerência e esperança.

4. Colaboradores na missão de Jesus

Ser discípulo significa também participar na missão de Jesus: anunciar a Boa Nova, aliviar as dores, promover a dignidade humana, curar feridas e construir pontes de fraternidade onde houver conflito e indiferença. A Igreja continua a missão iniciada por Cristo na Galileia: ser presença de luz onde ainda existem sombras, ser sal e fermento na sociedade, sinal de vida nova e de esperança.


📌 Conclusão

O Evangelho do IIIº Domingo do Tempo Comum é um convite a reencontrarmos o coração da fé cristã: Jesus chama, chama-nos pela nossa identidade mais profunda, e convida-nos a viver a vida em plenitude no Reino de Deus. Que a nossa resposta seja clara, generosa e fiel, fazendo de cada dia uma oportunidade para seguir Jesus com coragem e alegria.

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