III Domingo da Quaresma – Ano A: A Samaritana
Caminho para a Páscoa

III Domingo da Quaresma

“A Sede de Deus e a Água Viva”

«Dá-Me de beber.» A liturgia introduz-nos num dos diálogos mais transformadores do Evangelho: o encontro de Jesus com a Samaritana. Abre-se assim o "tríptico quaresmal" que nos guia rumo à Páscoa, mostrando-nos como a Água Viva do Espírito vence a aridez dos nossos desertos.

A Incursão em Terra Estrangeira

O Evangelho sublinha um detalhe essencial: «era necessário que Ele atravessasse a Samaria». Geograficamente, esta necessidade não existia, pois os judeus evitavam aquele território para não se misturarem. Tratava-se, contudo, de uma necessidade teológico-espiritual: o plano do Pai impelia Jesus a ir ao encontro daquelas ovelhas perdidas, numa verdadeira missão às periferias.

O Paradoxo do Meio-Dia: O encontro dá-se à "hora sexta" (meio-dia), a hora de maior calor. A mulher procura a solidão do poço para evitar os olhares alheios. Jesus senta-Se ali, fatigado. O Deus que Se apresenta como necessitado é, na verdade, a Fonte Inesgotável que tem sede de nos salvar.

A Água do Poço e a Água Viva

A mulher vai ao poço diariamente. A água que tira sacia por breves horas, mas a sede volta sempre. Esta é a imagem perfeita das nossas buscas humanas: tentamos preencher o nosso desejo de infinito com "águas" passageiras. Jesus propõe-lhe uma troca radical: a oferta da Água Viva, o dom do Espírito Santo que se torna uma nascente interior a jorrar para a vida eterna.

“Aquele que pedia de beber tinha sede da fé daquela mulher.”

Como Santo Agostinho belamente comenta, Jesus pede água material para poder oferecer o Espírito. O Seu pedido humilde é uma provocação de amor para entrar no coração da mulher, ensinando-nos que Deus anseia ser acolhido por cada um de nós.

Deixar a Bilha: A Discípula-Missionária

Quando a mulher reconhece o Messias, a sua reação é imediata: deixa a bilha para trás. Aquele objeto, que era o peso do seu passado e das suas velhas seguranças, perde a importância. Ela corre para a cidade para partilhar a alegria do encontro. Como nos recorda o Papa Francisco, quem experimenta a misericórdia de Deus não precisa de longas preparações: torna-se, de imediato, um «discípulo missionário».

Meditação junto ao Poço

  • As Nossas "Samarias": Jesus entra nos lugares marginais e escuros da nossa vida. Tenho a coragem de me expor ao olhar de Cristo, permitindo que Ele cure as minhas feridas ocultas?
  • A Fome e a Sede: De que poços ando a beber? O que estou a usar (sucesso, consumo, afetos desordenados) para tentar saciar a minha sede de felicidade que só Deus pode preencher?
  • Largar a Bilha: A conversão exige que deixemos algo para trás. Qual é a "bilha" (pecados de estimação, medos, comodismo) que preciso de abandonar nesta Quaresma para correr ao encontro dos meus irmãos?

"A mulher deixou a bilha, correu à cidade e disse a todos: «Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz. Não será Ele o Messias?»"

Uma Santa Quaresma!

Views: 0